27.11.09

A primeira crise...

...nesta escola foi ontem ao fim da tarde, durante a aula de música. Com direito a telefonema do professor e tudo. Entrou em pânico quando o professor decidiu registar o alegado mau comportamento na caderneta. Encontrei-o num estado lastimável, alagado em suor, o sangue a querer saltar-lhe pelo rosto, olhos vermelhos e afónico de tanto gritar. Na mochila trazia a caderneta rasgada, sem nenhum registo. Arrancou-a das mãos do professor. Nas curriculares esteve ao nível do Satisfaz Muito Bem - bolinha verde.
Hoje de manhã, quando chegou à escola, um colega preocupado quis saber se estava mais calmo, enquanto lhe afagava os cabelos. Achei querido. O miúdo olhou para mim, disse-me que o meu filho era seu amigo, muito amigo, mas que ontem...
- Pois, já sei - interrompi - ele hoje vai pedir desculpa ao professor.

25.11.09

Quem não tem manias...

...que atire a primeira pedra :)!

Ontem fiquei intrigada quando o meu filho se recusou a sentar na sanita só porque a casa de banho não tinha tapete. ”Mamã, não tem tapete! Não consigo fazer cocó sem tapete!” – gritava ele aflito. Mais uma das suas manias, valha-me Deus. Sem mais demoras, que não era altura para conversas, repus a peça decorativa. Mais tarde expliquei-lhe que o tapete não é preciso para nada.

Hoje fiz o teste, despi o chão da casa de banho e - EUREKA! - usou-a assim mesmo, sem reclamar. Ufa...

17.11.09

Curtas d' hoje

- Mamã, tu és mais velha do que o papá?
- Não. O papá é x anos mais velho do que a mamã.
- Ah! Ainda bem. Sabes, a mamã da C (uma colega) é mais velha do que o papá dela.
- Sim, e depois?
- É porque o que era para ser papá dela morreu e então a mamã dela casou com o filho mais novo e ...
- HEI, HEI! Não digas disparates...

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Digo para a minha mãe (tom baixo):
- Parece que a gripe A já chegou ao Colégio. A mãe do G disse-me que a professora de música está internada.
Responde M, do outro lado da sala:
- UF! Ainda bem que eu já não estou lá!

15.11.09

Heather Kuzmich...

... um interessante caso de Asperger.



Clicar aqui e aqui para ver a entrevista.

12.11.09

Afinal há coisas que importam...

Esta que hoje vos conto é daquelas que acalmam os meus pensamentos mais pessimistas.
Hoje de manhã, no canal Panda, passavam uma experiência científica cujo objectivo é explicar às crianças os malefícios do cigarro. Fazem-no através de um paralelismo entre uma garrafa fumadora e a estrutura do sistema respiratório. Pois então, mal começaram o ensaio o meu filho, que já o tinha visto algumas vezes - estão sempre a repetir – saltou do sofá e foi a correr chamar a avó que vive na casa ao lado. Passados uns segundos, vejo os dois entrarem na sala de braço dado, ele muito sério a conduzi-la:
- Senta-te avó, vê isto.
Sentaram-se os dois no sofá e ali ficaram calados em frente ao ecrã. A avó ainda tentou dizer-me qualquer coisa, mas ele interrompeu irritado e, com as mãos, virou-lhe o rosto para a TV:
- VÊ ISTO AVÓ!

Um gesto vale mais que mil palavras e esta é a tradução que eu faço:
-Vê o que andas a fazer aos teus pulmões. Tem cuidado avó. Não quero que morras…

10.11.09

Não gostei

Li-lhe uma história da colecção Rua Sésamo. Na história, o pequeno Gualter acordou a chorar com todas as suas forças depois de ter tido um “terrível pesadelo”. Tinha sonhado que o seu amigo Poupas Amarelo, o pássaro, havia perdido todas as suas penas.

Comentário do meu filho, com aquele ar de absoluta incompreensão perante tamanha aflição do personagem:

- Mas o sonho não foi com ele mamã, o que é que importa?!

Cuidado com a gripe

O meu filho já compreendeu o processo de contágio da gripe A, são muitas as informações e regras por parte da escola a fim de prevenir a doença. Sendo um bocado medroso em questões de saúde, passou a cumprir rigorosamente as medidas básicas de higiene pessoal e social. De um dia para o outro mudou a sua atitude. Se antes tossia e espirrava para o ar, apesar das constantes advertências e reprimendas no sentido de cobrir a boca com a mão, agora fá-lo tapando o nariz e a boca com o braço. Se antes lavava as mãos à pressa, após uma dezena de lembretes, agora basta um e completa todos os movimentos do folheto. Mas o mais interessante é que cumpre estas regras com a naturalidade de quem já o faz há anos. É incrível como há regras que ele aprende tão depressa. E bem.

7.11.09

Falta de ética desportiva...

...ou mau perder.
As actividades competitivas possuem uma estrutura demasiado complexa para serem compreendidas pelo meu filho. Não tolera não ser o primeiro, para ele apenas importa vencer e isso faz com que se desorganize quando se vê na pele do vencido.
Se na Escola a área curricular corre às mil maravilhas, o dia da Educação Física é para ele um dia crítico. A frustração associada ao simples facto de perder uma corrida provoca-lhe o descontrolo, desencadeia nele um choro raivoso e a manifestação de comportamentos agressivos - físicos e verbais. Calmamente em casa, tenho explicado que o importante não é ganhar, que no jogo e na vida há mais vencidos que vencedores, que vale mais ser um bom perdedor do que um mau vencedor, etc. Na hora parece compreender mas, à mínima desilusão, esquece toda a teoria e transforma-se naquele monstrinho indomável e exasperante. As pessoas sentem-se impotentes, pouco há a fazer. E ele também sofre por não conseguir controlar as emoções, os colegas riem-se, isso enfurece-o ainda mais. Custa-me que seja alvo de risota. Que mais posso fazer para ajudá-lo a aceitar a derrota com naturalidade?

29.10.09

Insinuações

Escolheu um DVD e pôs no leitor. Um filme do Winnie the Pooh (o ursinho pateta), que já deve ter visto uma dúzia de vezes, no mínimo. Senta-se de comando na mão e põe o filme a correr. Não tarda e começa a rir-se com a história. Olha para mim como que a querer partilhar a piada. Não ligo. Mais uns segundinhos e solta uma gargalhada forçada. Espreita para ver como reajo. Estou desatenta. E continua, nova gargalhada, olha para mim. Eu, nada. Levanta-se, vem puxar-me pelo braço:
- Anda ver mamã, é engraçado!
- Ver o quê? A mamã está ocupada.
- O filme do Winnie...
- Ah, vou acabar isto. Daqui a pouco eu vou.
(tom lamurioso)
- Vá lá mamã, sem ti eu não me riu...

25.10.09

A primeira noite sem a mãe

Tenho de registar. Na passada sexta-feira, o meu filho dormiu na casa dos tios. Confesso que sempre estive um pouco apreensiva no que toca a deixá-lo passar uma noite longe de mim, mas alguma vez havia de ser. Aproveitei que tinha um jantar de colegas para, por fim, aceitar o constante convite da minha cunhada:

- Hoje vais dormir na casa do N, a mamã vai a um jantar só de adultos.

- YEAH! Sim, sim, sim! (saltinhos)

- (...)

- Porta-te bem! Amanhã, de manhã, eu vou buscar-te.

- Mas é só um dia, mamã?! Tinha de ser dois!

- (...)

A euforia foi tal que resolvi tentar, o pior que podia acontecer seria ter de ir buscá-lo depois do jantar. Mas não foi necessário. Correu tudo bem e antes das 23:00 horas já dormiam, ele e o primo de quase 6 anos – informaram-me por SMS para ficar descansada. Imagino que o cabo dos trabalhos foi pô-los a dormir no mesmo quarto, tal deve ter sido a galhofa. ;)!

Achou delicioso o pão com Nutella, mas isso agora não interessa nada (lol). No Sábado, fui buscá-lo ao Estádio do Nacional, assistiam ao treino do meu sobrinho. Quando me viu, ficou logo todo segredinhos com a tia. Olhava para mim de esgueira enquanto lhe pedia, ao ouvido, o Bolicao que ela trazia na mala, não fosse ficar o assunto esquecido. :)!

Obrigada A, pelo jeitinho. Quando quiserem, já sabem, contem comigo que estas separações afinal são saudáveis e boas, para todos.